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Regência verbal e nominal

Todos os termos de uma frase estabelecem uma relação entre si. Aliás, a palavra texto vem do latim textere que significa tecer.
Como uma espécie de “tecido”, um texto deve ser bem “costurado”, com cada “fio” devidamente inserido na “trama” para, então, fazer sentido.
Assim, as palavras devem ser ajustadas no texto, de maneira que sua ideia central não fique prejudicada.
Essa relação de interdependência entre os termos da oração é chamada de regência, que pode ser verbal ou nominal.
O termo regente estabelece a posição central (o termo que rege) e o termo regido é aquele que se submete ao termo regente.
Complicou? Calma que aqui no Retificando você esclarece todas as suas dúvidas!
Neste post, você confere com a gente o que é regência verbal e nominal e aprende um pouco mais sobre a importância desse estudo.
→ Sob ou Sobre?
Regência verbal e nominal

Regência verbal

Chamamos de regência verbal a relação que o verbo estabelece com seus modificadores (os adjuntos adverbiais) ou seus complementos (que podem ser um objeto direto, um objeto indireto ou ambos).
Esse conceito está intimamente ligado ao conceito de transitividade verbal.
Quanto à transitividade, os verbos podem ser:

1. Intransitivos

São verbos que possuem sentido completo.
Veja o exemplo abaixo:
  • Choveu. 
Observe que o verbo chover não precisa de complemento algum para fazer sentido. 
Agora, verifique os próximos exemplos:
  • Choveu muito
  • Choveu pouco
Note que os termos muito e pouco não funcionam como complemento (objeto), mas como modificadores do verbo (termos acessórios), podendo ser removidos da frase sem prejuízos em sua estrutura sintática.
Veja outros exemplos de frases com verbos intransitivos:
  • Maria morreu. 
  • Joãozinho nasceu. 
  • Pedro chegou. 

2. Transitivos diretos 

São chamados de transitivos, pois são verbos que necessitam de complemento (um objeto), haja vista o fato de que não possuem sentido completo por si só. São chamados de transitivos diretos, pois não são regidos por preposição. Veja o exemplo abaixo:
  • Quero. 
Observe que, diferente do exemplo do verbo chover, o verbo querer está sem sentido algum, pois quem quer, quer alguma coisa.
Dessa forma, exige um complemento, um objeto direto. Veja agora:
  • Quero falar com você.
Outros exemplos de frases com verbos transitivos diretos:
  • Ana fez um bolo de chocolate delicioso. [quem faz, faz alguma coisa
  • Eu vi você passando na rua. [quem vê, vê alguma coisa ou alguém
  • Visitei seus pais no hospital. [quem visita, visita alguém


3. Transitivos indiretos 

São verbos que necessitam de um complemento acompanhado de preposição (um objeto indireto).
Vejamos o exemplo do verbo gostar. Quem gosta, gosta de alguma coisa ou de alguém.
  • Gosto de você.
👀 Percebeu a presença da preposição?
Confira outros exemplos de verbos transitivos indiretos:
  • Preciso de frutas no café da manhã. [Quem precisa, precisa de alguma coisa]
  • Ingressei na faculdade. [Quem ingressa, ingressa em algo]
  • Acredito em Deus. [Quem acredita, acredita em algo ou em alguém]


4. Transitivos diretos e indiretos- são verbos que necessitam de um objeto direto (relacionado a coisas) e um objeto indireto (relacionado a pessoas). Vejamos:
  • Maria agradeceu as flores ao namorado. [Quem agradece, agradece algo a alguém
  • Cristo perdoa o pecado ao pecador. [Quem perdoa, perdoa algo a alguém]
  • Paguei as dívidas aos cobradores. [Quem paga, paga algo a alguém]

Casos específicos

1. Verbo amar 
  1. O verbo amar é transitivo direto. No entanto, observe o exemplo abaixo: 
  • Amo a Deus. 
Esse caso em específico (referindo-se à divindade), por uma questão de estilística, não é considerado erro gramatical.
O mesmo vale, por exemplo, para o verbo adorar. Veja a diferença:
  • Adoro sorvete! 
  • Adoro a Deus! 

2. Verbo chegar

O verbo chegar é predominantemente intransitivo. No entanto, algumas construções transitivas diretas e transitivas indiretas também são possíveis. Observe:
  • Chegue a mão perto da minha. 
  • Chegue o banco para a frente. 
Nos exemplos acima, chegar tem sentido de mover ou aproximar-se. Nesse caso, é verbo transitivo direto.
Agora, veja os exemplos abaixo:
  • Chegamos à estação de trem bem cedo. 
  • A dívida chega a dez mil reais. 
  • Cheguei ao topo. 
  • Cheguei de Sergipe. 
  • Chega de conversa! 
Quando indica um lugar para o qual se foi, o ato de atingir determinado lugar ou importância, o ato de vir de algum lugar ou quando se refere a algo ser o bastante, chegar é transitivo indireto.
Lembrando que trouxemos apenas dois casos específicos, mas existem muitos outros. O ideal é, sempre que tiver dúvidas, consultar um dicionário de regência verbal.

Regência nominal

Chamamos de regência nominal as relações estabelecidas pelo nome (que pode ser um substantivo, adjetivo ou advérbio) e os termos regidos por ele.
Esses termos, por seu turno, vêm sempre acompanhados de preposição.
Vejamos alguns exemplos:

1. Substantivos:
  • Medo de 
  • Obediência
  • Aversão a, para, por 
  • Respeito a, com, para com, por 
2. Adjetivos:
  • Necessário a, para 
  • Equivalente
  • Nocivo
  • Paralelo
3. Advérbios
  • Longe de 
  • Perto de 
  • Paralelamente
  • Equivalente

Regência verbal e nominal: importante estudar

O estudo da regência nominal e verbal permite criar frases livres de ambiguidades ou de sentido incerto.
Além disso, podemos perceber, por exemplo, como uma única palavra pode ter sentidos distintos a depender dos termos que a regem.
Veja o exemplo do verbo agradar:
  • O pai agradou o filho. 
  • O pai agradou ao filho. 

Quando transitivo direto, agradar significa acariciar.
Quando transitivo indireto, causar prazer ou satisfação a alguém.
Não temos o costume de nos preocuparmos com esses detalhes no dia a dia, mas conhecê-los é extremamente importante, sobretudo, nos usos da norma padrão da língua portuguesa e em contextos mais formais de comunicação
Esperamos que tenha gostado da dica de hoje.

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